Em Montmartre, Beaux Parleurs devolve vida à rue Lepic

Em Montmartre, não faltam endereços. Entre restaurantes caça-turistas e bistrôs históricos, o bairro cultiva há muito tempo uma identidade singular, artística e vibrante. Mas no número 61 da rue Lepic, um novo espaço vem reacender a alma do “vilarejo” montmartrois: Beaux Parleurs.

Um novo fôlego na rue Lepic

Por trás da fachada, a atmosfera é acolhedora, quase teatral. Logo na entrada, o olhar é capturado por um majestoso bar de mármore verde da Namíbia, verdadeiro palco dessa obra de hospitalidade. A primeira sala, iluminada pela luz natural, é valorizada por uma canópia vegetal criada pela designer Hanna Novak.

Mais adiante, sob a claraboia, instala-se um clima mais intimista: poltronas de veludo, mesas baixas, obras de arte e muito verde formam um elegante refúgio. E a cereja do bolo? Um speakeasy escondido no andar superior, acessível por uma estante de livros, digno dos Anos Loucos: bar da casa Coquillard, antigo poste do Cassino de Touquet, mesa art déco, sofá Chesterfield… Um cenário confidencial, perfeito para eventos privados e noites exclusivas.

Uma cozinha generosa e bem executada

Sentada junto à vitrine, com vista para a rue Lepic, a experiência começa com uma taça de champanhe. Como entrada, o tártaro de dourada com baunilha e manga encanta pela frescura e delicadeza, enquanto a salada de camarão, abacate e grapefruit traz um toque cítrico perfeitamente equilibrado.

Os pratos confirmam a generosidade da casa:
um burger de kefta com queijo halloumi, acompanhado de batatas fritas crocantes, seguido por uma entrecôte suculenta, e finalizando com uma tarte Tatin reconfortante, homenagem aos clássicos da gastronomia francesa.

Uma visão humanista da hospitalidade

Por trás dessa transformação está Vincent Galeraud, ex-executivo da French Tech, epicurista assumido e viajante incansável. Cansado das viagens, mas nunca satisfeito em termos de experiências, ele sonhava com um espaço de vida permanente, onde cada visita fosse uma surpresa.

Ao seu lado, Nacer, maître d’hôtel com passagem pelas casas de Hélène Darroze e figura bem conhecida de Montmartre, personifica a alma do lugar. Carismático, caloroso e excelente contador de histórias, ele transforma cada visita em um momento memorável.

Aqui, a ambição não é correr atrás de estrelas Michelin, mas reinventar os códigos da hospitalidade: oferecer acolhimento, beleza, boa comida e, sobretudo, atenção aos detalhes. Tudo é feito na casa, com uma busca constante por emoção e sensorialidade. Coquetéis infusionados com pimenta Timut ou chili, coleção de pimentas apresentada à mesa, pequenas encenações… cada gesto conta uma história.

Em um bairro por vezes saturado de endereços formatados para o turismo, Beaux Parleurs reconcilia Montmartre consigo mesmo. Vem-se pela comida, volta-se pela atmosfera, e sai-se com a rara sensação de ter descoberto um lugar autêntico, vivo e profundamente montmartrois.

Fotos : @parisabor

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